quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Reportagem do Diário de São Paulo sobre a demora e/ou falta de resposta da Secretaria do Estado da Saúde de São Paulo aos pedidos de insumos de diabetes

Diabéticos ficam sem insulina para tratamento

Quem não reage ao medicamento distribuído tem de solicitar outro mais caro para o governo estadual Diário de S. Paulo

Foto:
Olívia Tesser/Diário SP


Debora representa judicialmente os pacientes que não conseguem as insulinas

POR: Lucilene Oliveira
Especial para o DIÁRIO

Pacientes com diabete crônica, que não reagem mais ao tratamento com as insulinas distribuídas pelo SUS (Sistema Único de Saúde), enfrentam dificuldades para ter acesso aos medicamentos análogos com fórmula mais avançada. Eles permitem menores variações de glicemia no sangue.

“Desde o início do ano a Secretaria Estadual de Saúde não responde nada. As pessoas enviam os documentos e, depois de 30 dias, eles pedem os mesmos documentos”, conta a advogada Debora Aligieri, diabética há 27 anos.

São dois os tipos de insulina no SUS: a NPH e a regular. Os médicos dos pacientes com diabetes tipo 1 podem solicitar a mudança para a insulina análoga quando não reagem ao tratamento. Com o laudo do médico e o registro de glicosímetro (resultado das fitas usadas para medir a taxa de glicemia), o paciente faz solicitação na Secretaria Estadual de Saúde. O prazo para a resposta é de 60 dias.

“A minha filha fez o teste por um mês e teve um resultado positivo. O médico deu o laudo favorável para as insulinas análogas. Eu fiz a solicitação e depois de 40 dias recebi um telegrama pedindo para levar os mesmos documentos que eu já tinha levado”, conta Maria Francisca Bom Sucesso de Oliveira, mãe de Geovanna, de 11 anos, que sofre com a doença.

A jovem usa a insulina regular, mas o medicamento não controla mais a glicemia e é comum os chamados distúrbios de conduta. “Quando ela fica com glicemia muito baixa, não me reconhece mais nem a nossa casa. Ela já até colocou refrigerante no feijão”, afirma.

Quem usa os medicamentos análogos precisa renovar o pedido a cada seis meses, o que aumenta a dor de cabeça dos pacientes. Talita Dezenil Guidio e a filha Emily, de 12 anos, usam as insulinas análogas. Na última renovação elas ficaram quatro meses sem receber. “Fiz os procedimentos corretos, mas não liberavam. Tive de pedir ajuda na internet para sobreviver de dezembro a abril”, diz Talita. A insulina análoga custa R$ 300 por mês - a bomba sai por R$ 2 mil.

Remédio só é dado após análise de comitê

A Secretaria Estadual de Saúde informou ontem, em nota, que o pedido da paciente Geovanna Eduarda Bom Sucesso diz respeito à insulina análoga e foi efetuado em 26 de agosto deste ano. Segundo a pasta, essa solicitação é analisada por um comitê técnico que tem 30 dias para emitir um parecer.

Em 25 de setembro o comitê enviou um telegrama à paciente solicitando informações complementares (relatório médico e cópia do glicosímetro atestando as crises de hipoglicemia severa) e “até o momento não obtivemos retorno. O pedido não foi negado, apenas solicitamos uma complementação”, diz o comunicado.
A secretaria ressalta que a hipoglicemia grave é aquela associada à perda de consciência, convulsões ou distúrbio de conduta e deve ser comprovada. “Informamos ainda que o comitê solicita complementações apenas quando o formulário apresenta informações limitadas para avaliação técnica.”

A Secretaria Municipal da Saúde informou que a insulina distribuída pela rede é fornecida pelo Ministério da Saúde para as secretarias estaduais que, por sua vez, repassam o insumo aos municípios. A pasta reafirma seguir um acordo federal que dispõe sobre a relação municipal de medicamentos essenciais e nesta lista estão relacionadas somente as insulinas NPH e regular.


Opinião

Denise Reis Franco_ coordenadora da ADB (associação de diabéticos)

A qualidade de vida aumenta

A vida do paciente antes e depois de começar a usar o análogo de insulina muda significativamente. Todos os pacientes dizem que melhorou bastante. Não tenho nenhum paciente que começou a usar a análoga e voltou para a NPH e a regular, que estão no protocolo do SUS. Usando a análoga, o paciente não tem mais picos de hipoglicemia. Ele passa a ter uma estabilidade maior. O diabético tem flexibilidade nos horários das refeições e aumenta a qualidade de vida. Para a troca do tipo de insulina é necessário que o médico emita um laudo para que o paciente possa solicitar os medicamentos na Secretaria Estadual de Saúde. Antes de fazer a solicitação, o médico faz inúmeros testes e estudos.

Fonte: Diário de São Paulo

Conversa com Laércio Maciel da rádio globo sobre o assunto: http://radioglobo.globoradio.globo.com/manha-da-globo-sp/2013/10/09/DIABETICOS-FICAM-SEM-INSULINA-EM-TRATAMENTO.htm

Um comentário:

Debora Aligieri disse...
Este comentário foi removido pelo autor.